seifukuKatsu é a arte de reanimar. Tal como o Seifuku ou Seifuku-jutsu –  a arte da recuperação de traumas ( de sei – autentico- fuku –restaurar- e jutsu técnica) faz parte das modalidades  do  Kappo – 活法, kappō –  técnicas de resucitação – que consistem em  técnicas de cura envolvendo a estimulação dos pontos de acupuntura específicos tradicionais. Essas técnicas secretas eram geralmente ensinadas nos Ryu (escolas tradicionais). Hoje ainda, elas permanecem poucas divulgadas principalmente devido ao crescimento das praticas modernas de primeiros socorros

O Katsu é um sistema de reflexologia composto de manipulações, pressões  e percussões em pontos vitais relacionados a diferentes órgãos do corpo, certos procedimentos  sendo também acompanhados do uso do KIAÏ. O Kiaï, é abusivamente interpretado pelos leigos como sendo apenas o grito proferido durante a luta marcial. No entanto, o Kiaï Jutsu é outra verdadeira arte cujo uso é mais complexo que pode parecer, transformando o famoso “grito que mata” em “grito que da a vida. O kiaï era alias  bastante usado nos campos de batalhas pelos próprios samurais para pedir como para prestar assistência uns aos outros de modo muito mais rápido. Assim completando a educação e formação multidisciplinares desses combatentes estudando técnicas letais bem como artísticas (caligrafia, poesia, arte do chá…): “as artes da guerra com a mão direta, as artes da paz com a mão esquerda “.

Tal como muitas outras artes japonesas, o Katsu teria uma origem chinesa. sendo elaborado ao longo dos séculos acima dos conhecimentos em traumatologia da medicina tradicional. Seu ensino sempre ficou confidencial, feito oralmente, e reservado a formação dos instrutores altamente graduados das escolas. Os mesmos devendo prestar juramento de nunca divulgar essas técnicas sem autorização previa do Soke (representante da escola) e exclusivamente para  praticantes justificando da graduação mínima de Shodan. A transmissão dessas técnicas é hoje mais comum já que uma jovem faixa preta estageralmente liberado para dirigir treinamentos ou servir de assistente ao Sensei. Ele deve por tanto ser apto a aplicar um Katsu eficiente no caso de alguém estar desmaiando durante uma sessão de treino. Seu uso permanece ainda confidencial nos Dojos mesmo sabendo  que o simples fato de bater num ponto vital (kyusho) pode matar mas também pode salvar uma vida, os atemis sendo assim armas de destruição bem como de salvação.

Antigamente se falava no Japão que o ensino do Katsu só podia ser dispensado após uma cerimônia de iniciação: o aluno preste a receber o segredo tinha que primeiro perder a consciência para depois ser reanimado. No mundo ocidental, muitas lendas corriam sobre o uso do Kiaï e sobre essas técnicas apenas transmitidas as faixas pretas que aceitavam ser estranguladas ( freqüentemente em Gyaku Juji Jim – estrangulamento em cruz) mostrando uma confiança cega nas subseqüentes técnicas de reanimação. O ensinamento sendo apenas aplicado em alunos voluntários, os céticos eram poucos…

Esses judocas da primeira treinavam para resistir progressivamente aos estrangulamentos, assim desenvolvendo ambos  coragem e… pescoço, pois precisa ter grande confiança no seu mestre ou parceiro de treino para aceitar deliberadamente ser estrangulado até a perda de consciência. A afonia, uma rouquidão passageira, dores na altura da laringe e do pescoço são os efeitos comuns e sem gravidade que podem ocorrer após um estrangulamento num treinamento.  Mas  grave sincopa e até a morte bem como danos cerebrais irreversíveis podem caracterizar os lógicos efeitos colaterais de tal dano.

É  importante permanecer muito atento e prudente nas modalidades usando técnicas de estrangulamento, bem como nunca esquecer que os mesmos pontos utilizados em Katsu também são alvos durante os combates. O “estrangulado” nunca deve resistir para apenas negar a derrota e o “estrangulador” deve sempre relaxar a pressão quando percebe que o parceiro bate ou mostra evidencia de mal estar.

Durante estrangulamento de tipo sanguíneo, cujo objetivo é impedir a chegada do sangue no cérebro, as artérias da carótida podem colar, mesmo após o estrangulamento e assim impedir o fornecimento de oxigênio para o cérebro. Após uma síncope, caso a técnica de  Katsu permanecer sem resultado, o reanimador não deve perder seu calmo nem seu ânimo, mas sim reavaliar sua postura, sua posição, sua técnica ou a intensidade dos seus movimentos antes da aplicação  de qualquer nova técnica. Assim voltando a consciência  o sujeito, é preciso ficar atento para medir a avaliar a intensidade de reação do mesmo pois pode ocorrer um reação oposta devida a uma estimulação maior da área solicitada. O sujeito deve ficar deitado alguns momentos, permanecer com as pernas em posição sobrelevadas, sentar e por fim levantar-se progressivamente, sempre respirando profundamente e tranquilamente.

É importante, mesmo justificando de amplos conhecimentos, de nunca « brincar » com essas técnicas de Katsu principalmente para encher os olhos dos outros ou apenas  “experimentar” as coisas  e suas conseqüências. Caso ocorrer efeitos colaterais graves, apenas um médico será habilitado para  prestar assistência.

Tecnicas e utilização :

As técnicas aplicadas em Katsu agem sobre o sistema neurovegetativo, criando uma reação similar a uma excitação gerando dilatação, blocagem, aceleração ou diminuição das funções orgânicas. A maior parte dos pontos nervosos ou vitais tocados encontra se na coluna vertebral, no plexo ou acima de terminações nervosas: cada um desses pontos corresponde a uma função ou um órgão do corpo. O Katsu usa os mesmos recursos que a Acupuntura, o Shiatsu ou mesmo o Do in: a apófise espinhosa, o intervalo interespinhoso e as partes para-vertebrais. Os dois primeiros estimulam o centro medular, quando  o terceiro estimula os nervos. Porem, ao contrario da acupuntura onde existe ação sobre um dos pontos, no Katsu se age simultaneamente sobre os três pontos. O ponto é o centro da área para ser atingida e a palma da mão é o recurso ideal para bater corretamente os 3 pontos da coluna vertebral. Para as percussões, a mão, o punho, a faca da mão, o cotovelo, o joelho, os dedos do pé, o calcanhar e também Ippon Ken (a falange do dedo indicador), Nakadaka Ken (falange do dedo médio) etc… Para as pressões, serão utilizadas as mãos ou os dedos, e para as fricções, as mãos, os polegares ou os dedos.

As técnicas são repartidas  em 4 grupos principais:

       Agura-So-Katsu técnicas aplicadas sobre uma pessoa sentada

       Ushiro-So-Katsu técnicas aplicada sobre uma pessoa deitada sobre a barriga

       Tanden-So-Katsu técnicas aplicadas sobre uma pessoa deitada sobre as costas

       Yoko-So-katsu técnicas aplicadas sobre uma pessoa deitada de lado

Incluem vários procedimentos:

Kikai-So-Katsu procedimento integrale abdominal toracico ;

Obi-Katsu massagem lombar ;

Amon-Katsu antalgico cervical cefalico ;

Aiire-So-Katsu técnica de reanimação a 2 ;

Hai-Katsu reanimação respiratoria ;

Sasoi-Katsu reanimação respiratória com compressão abdominal

Aiki-Katsu boca a boca ;

Shinzo-Katsu reanimação cardíaca;

Tsuki-Katsu, reanimação com percussões reflexológicas;

Eri-Katsu pressões abdominais combinadas com pressões dorsais;

Inno-Katsu percussões Perineal;

Jinzo-Katsu percussões lombar;

Kami-Katsu percussões epigástricas;

Kin-Katsu percussões Peri-abdominais;

Kogan-Katsu percussões do pé ;

 Koshi-Katsu percussões sacro-iliacas;

Seoie-Katsu percussões dorsal.

Exemplos

1/ sangramento do nariz

cranioNa maioria dos casos é um incidente sem gravidade muito comum nas praticas de artes marciais. O Katsu vai estimular o sistema neurovegetativo. A pessoa senta. Fazemos relaxar os ombros e o pescoço com alguns movimentos e rotações bem suaves. Então inclinamos levemente a cabeça por trás para bater brevemente em shuto na base do osso occipital do crânio. O golpe não deve ser forte demais e ser portado levemente de baixo pra cima. A outra mão, sobre a testa ou por baixo do queixo segura a cabeça. Não deve ser golpeado de jeito nenhum as cervicais e a pessoa não deve farejar ou assoar o nariz. O objetivo é fazer vibrar a coluna vertebral, principalmente a 1º vértebra cervical. Um metodo alternative é pressionar com o polegar essa mesma vertebra. Essa técnica pode ser utilizada em caso de sangramento espontâneo, principalmente com as crianças. Porem, cuidado também com os sangramentos sem causas aparentes, que podem ser conseqüências de um distúrbio cerebral. Melhor então deixar fluir o sangre e chamar um medico, principalmente em caso de sangramento crônico.

2/ Traumatismos testiculares e pélvicos: Para dores sem ruptura testicular:coluna

  • Procedimento 1 : Suspender a pessoa pelas costas para permitir o relaxamento dos músculos da virilha.
  • Procedimento 2 : A pessoa sendo sentada, o manipulador fica nas suas costas, mãos segurando os ombros, sendo realizadas percussões com os pés na porção lombar na altura da L4 e L5. As percussões precisam ser suficiente forte porem sem brutalidade. Efeituar 6 percussoes um a cada segundo.
  • Procedimento 3: A pessoa esta deitada sobre as costas. O Operador pega uma das pernas esticada numa mão, batendo com a outra em Tetsui ou Shuto na face interna do pe na altura do 1º metatarso e do 1º cuneiforme, ou seja no ponto chinês Kong Soun. Efetuar nos dois pês 3 percussões em cada  pé.

       3/ Sincope e perda de consciencia:

Apos sincope e perda de consciencia, o Katsu parece até milagroso pela velocidade com a qual o sujeito volta a consciencia. O procedimento mais simples consiste em bater na 7º vertebra cervical ou nas 4º, 5º e 6º vertebras dorsais em Tetsui ou Teisho ou até Empi. As percussões poder ser feita em alternancia com ventilação respiratória manual relaizando inspirações/expirações forçada acima do peito.

Atenção! Essas técnicas são detalhadas com um propósito ilustrativo e não para  ser aplicadas sem presencia de um professor qualificado. O Katsu como qualquer arte necessita uma aprendizagem especifica sob a supervisão de um técnico competente.

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