Capturarrespirar3A respiração é um ponto chave no trabalho do carateca. Ela desenvolve um papel fundamental no metabolismo, na descontração muscular, no relaxamento emocional, no auto-abandono emocional, na conexão com o hara, no concentração do ki e na meditação.

É a pedra angular para a construção de uma boa pratica do Karate. Voltar a uma respiração natural ( quando o uso diafragma é primordial) é o primeiro objetivo desse trabalho.

Um melhor conhecimento do sistema respiratório deve ser o passo inicial para dominar certos exercícios que permitirão de aperfeiçoar e mobilizar melhor sua respiração.

 A respiração funcional e econômica

Quando evocamos a respiração, pensamos imediatamente aos pulmões. Ora, se no seu papel químico de troca gasosa, a respiração solicita principalmente a área pulmonar, na sua ação mecânica, solicita o tronco na sua integralidade, do occipital até os músculos da região perineal,  numa complexa interação muscular.

O diafragma é um músculo chave na respiração.

Dividindo o tronco na altura das costelas inferiores, é um dos músculos mais potentes do corpo. Delimita por baixo o complexo pulmonar e por cima o complexo abdominal. O movimento do diafragma é parecido a uma cúpula cujo teto soube e desce sustentado acima de três pilares: a coluna vertebral, as costelas e o esterno

Na fase da inspiração, o diafragma é ativo. Ele se contrai e o teto da cúpula  assim desce desencadeando:

– no peito, um aumento do volumo torácico por baixo, gerando uma depressão que deixa entrar ar nos pulmões.

– no abdômen, um apoio sobre o complexo abdominal que vai inchar o ventre, e numa certa proporção o diafragma pélvico e as partes inferiores das costas na altura do quadrado lombar.

Assim descobrimos a primeira condição para uma respiração normal e completa: o volume abdominal deve estar totalmente livre e descontraído. Obviamente, qualquer tensão abdominal impede ou reduz a respiração fisiológica normal. E qualquer tensão temporária (devido, por exemplo, ao estresso antes da luta) contribui a reduzi-la.

Na fase da expiração, o diafragma é apenas passivo. Sua cúpula soube sob o efeito da elasticidade dos pulmões e da ação dos músculos do ventre. Isso traz,

-para o tórax: uma redução do volume torácico e uma expulsão do ar viciado fora dos pulmões,

-para o abdômen,  um trabalho em sinergia de todos os músculos que compõem o conjunto abdominal excluído o diafragma.

Esse ciclo rítmico é o mecanismo fundamental da respiração. Qualquer impedimento ao seu bom funcionamento terá por conseqüência sérios distúrbios fisiológicos e psicológicos.  O movimento leva toda a massa muscular abdominal num fluxo e refluxo permanente, numa sucessão de contrações e relaxamentos. O mecanismo da respiração tem um papel essencial no funcionamento do sistema digestivo. Numerosos problemas estomacais ou intestinais estão relacionados com um mecanismo respiratório bloqueado ou insuficiente.

O movimento das costelas estende a respiração diafragmática.Capturarrespiração4

As costelas são animadas por um movimento coordenado com o diafragma, esse movimento contribuindo a aumento do volume torácico.  Esse movimento é reduzido durante a respiração no repouso, porem fica maior quando um esforço muscular necessita uma respiração também mais profunda. Voltamos, portanto, a mesma lógica que prova que qualquer tensão muscular pode ter uma conseqüência negativa no ciclo normal da respiração completa, impedindo ou dificultando o movimento das costelas.

Podemos considera a respiração completa tal como a resultante da seguinte alternância muscular:

-durante a inspiração, tensão ativa do diafragma e relaxamento dos músculos abdominais e pélvicos. Na continuidade desse movimento, os músculos peitorais e dorsais vão abrir o peito primeiro lateralmente e depois por cima.

 -durante a expiração, relaxamento dos elevadores das costelas, tensão ativa dos músculos abdominais e pélvicos, empurrando pra cima o diafragma relaxado. E, se a expiração é forçada, contração dos músculos abaixador das costelas para maior redução do volume torácico.

Esse movimento respiratório é o mais eficiente quando o eixo do corpo é estável e aberto. Deve apoiar-se sobre a coluna vertebral sim, mas não sobre o esterno como acontece com bastante freqüência. A fixação equilibrada da coluna dorsal permite a fixação de pontos sobre os quais os músculos respiratórios podem agir. Conseqüentemente, uma respiração normal e completa é impossibilitada num corpo cujo eixo vertebral é cronicamente deformado.

Assim percebemos de novo a unidade das diversas funções do organismo e enxergamos que o melhoramento de um problema respiratório, com todas suas conseqüências psicológicas, muitas vezes passa por uma liberação das tensões vertebrais.

Os bloqueios respiratórios.

Poucos ocidentais tem uma respiração otimizada. O acumulo do estresso pode ser uma das causas, mas a maior parte dessas blocagens vem de anomalias não resolvidas na construção da pessoa.

A estreita relação existindo entre vida emocional e respiração faz que os problemas afetivos relacionados com o crescimento da criança e do adolescente expressam se com posturas corporais e respiratórias relacionadas com   mecanismos de defesa psicológicos. Esses mecanismos, justificados por certas circunstancias numa fase do crescimento pessoal ameaçam de perdurar e até virar crônicos enquanto essas mesmas circunstancias já desapareceram. Na vida adulta, isso pode gerar uma blocagem do desenvolvimento pessoal no quadro psicológico emocional, bem como no quadro físico, na estagnação em certas posturas corporais, expressão inconsciente dessa blocagem.

O medo do pai, ou o medo mais comum do castigo numa certa fase do crescimento da criança, pode ter levado ao reflexo de prender a respiração sob efeito do receio e a vontade de passar despercebido. Essa atitude pode virar um comportamento automático. Já na fase adulta, a criança guarda então um pavor do outro e especialmente das “autoridades”, bem como continua nesse costume de prender a respiração em permanência… Todo esse processo se faz de maneira inconsciente… O adulto apenas terá um vago sentimento que algo não esta bem, e que tão psicologicamente bem como fisicamente, ele “sufoca” na vida. Apenas se consegue, com a ajuda de uma especialista, a tomar consciências das suas atitudes inconscientes, que poderá iniciar um trabalho de libertação…” (Jacques Dropsy)

A história de vida de cada um é inscrita na sua estrutura. O corpo é marcado pela historia social da pessoa, moldado pela profissão que exercitou, pelo esporte que praticou com intensidade. È com esse corpo, estruturado de maneira própria e único, que o individuo agira em todas as circunstancias da vida.

Respiração e acidez do sangue

O pH normal do sangue humano é mais ou menos de 7,35, ou seja, levemente alcalino ( a neutralidade fica em 7). Sua amplitude de variação é limitada: de 7,28 até 7,42. Quando esse pH fica normal, o hipotálamo (cujo papel é importante na regulação emocional) fica abastecido pelo sangue que favorece sua capacidade normal de reação. Isso favorece uma descarga imediata consecutiva a uma carga emocional. Essa resposta apropriada da descarga emocional acontece num prazo de tempo adequado.

Quando o pH varia de 7,35 para 7,28, o sangue vira levemente menos alcalino. Nesse caso o sangue iniba as reações hipotalâmicas e as descargas emocionais ocorrem mais lentamente até sua liberação. Numa situação invertida, o sangue vira mais alcalino e a atividade hipotalâmica é sobre ativada. Acontecem descargas emocionais acentuadas.

O pH sangüíneo aparece ser um regulador da vida emocional. Ora si a alimentação determina em grande parte essa taxa alcalina, ela esta muito influenciada pela oxigenação.

Durante o esforço físico, o organismo esta em falta de oxigene, condição que se traduz por uma diminuição do pH do sangue com a produção maior de ácido carbônico nas células. Essa diminuição do pH no sangue desencadeia instruções do hipotálamo que irão, fora de qualquer decisão consciente, aumentar nossa respiração. È assim que a atividade física intensa gera também uma respiração maior.

As tensões musculares são também relacionadas com o pH no sangue. Aparecem assim que aumenta a acidez do sangue. Sabemos que o excesso de ácido lático vai gerar câimbras musculares. Do mesmo modo, uma oxigenação reduzida devida a uma respiração insuficiente gera tensões musculares. Essas tensões podem provocar dores múltiplas, contrariando movimentos, esmagando vértebras e articulações, gerando espasmos.

Assim entendemos que uma respiração normal e completa, além de favorecer a digestão e a eliminação, regula a integralidade do tônus muscular influenciando quanto a ele a postura corporal e, portanto, nossa confiança, nossa voz, nossa capacidade de ação…

Libertar sua respiração

Libertar sua respiração não é coisa fácil. Precisa para isso poder para, nada fazer, senão deixar o corpo ter acesso a essa respiração instintivo que permanece na sua memória.

Porém, essa liberação não é fácil quando confronta a pessoa com a permanência e inutilidade de tensões que  acumulou com grande despesa de energia e de efeitos colaterais. Ajuda a perceber que o ser humano se auto castiga de tensões desnecessárias que não tem mais razões para permanecer.

Precisa então fazer um verdadeiro trabalho interno  para relaxar completamente e as vezes deixar ressurgir emoções arcaicas reprimidas pelas tensões. Certas técnicas utilizam a respiração para promover um trabalho terapêutico  de libertação. Foi evidenciado que o aumento da taxa alcalina no sangue conseqüência de um excesso de oxigenação favorece o funcionamento do hipotálamo e, portanto, o desbloqueio de carga emocional. Nessas técnicas a pessoa esta incentivada a iniciar o trabalho por uma respiração continua, alta e rápida, forçando a inspiração e relaxando completamente a expiração, sem pause nem retenção de ar. A hiper ventilação vai permitir de apontar certas tensões,  identificá-las para melhor ultrapassá-las. Quando isso é possibilitado, podem também chegar fases de consciência modificadas no decorrer das quais a pessoa repassa cenas não resolvidas da sua vida, encarando traumas antigos, porem dessa vez com recursos de hoje para melhor entende-los.

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Importância da respiração diafragmática

O ar também entra pelo nariz e sai pela boca, porém fica uma parte de ar retida na porção inferior dos pulmões (cerca de 30%), parte esta geralmente não utilizada, pois a musculatura diafragmática os comprime, fazendo com que essa pequena área não seja aproveitada.

A respiração diafragmática traz inúmeros benefícios, dentre os quais os três principais são:

  • tornar possível o catatonismo (ficar em “estado de morto” por vários dias, onde o coração bate de 4 a uma vez por minuto);
  • retardar o processo de queima de oxigênio, desacelerando os batimento cardíaco e,
  • o mais importante, energizar o corpo, regularizando a força vital, formando assim, uma espécie de camada protetora, dificultando o contágio de doenças que debilitam o sistema imunológico.
    A respiração com o baixo ventre faz com que o oxigênio que entra se concentre, energizando esse local. Posteriormente essa energia é transferida para os demais órgãos do corpo, como o cérebro, coração, intestinos etc., regularizando e equilibrando os chacras de cada elemento (inclusivo sexuais!)

Exercícios simples para adquirir uma respiração diafragmática

Exercício 1

(extraido de um livro tratando de Tai Chi Chuan : “ Relaxaxão, serenidade , equilíbrio, nos passos do Tai Chi Chuan” Dominique de Wespin, Coleção Marabout 1975)

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Deitar no pé da cama. Estender as pernas a partir do joelho. Respirar passivamente apenas observando a respiração. Pouco a pouco chegará do abdômen.

Exercício 2

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De pé, em posição hachiji dachi, a bacia em retroversão, direcionar os ombros para frente, estender os braços, cruzando os e juntas a palma das mãos ( em posição inversa para o dorso das mãos se tocar). Sentir os braços em contato com as costelas flutuantes. Nessa posição que prende todo o tórax e liberta o ventre, respirar cuidadosamente para nenhuma parte do tórax se movimentar. No exercício corretamente executado, a pessoa acha uma respiração que apenas solicita a parte inferior do abdômen assim redescobrindo  a respiração diafragmática.

 

 

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