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A evolução das artes marciais competitivas é preocupante. Devemos cada dia pensar nisso, principalmente quando se cogita a entrada de uma nova modalidade olímpica tal como o Karatê. Basta lembrar o exemplo do Taekwondo e do representante cubano que acertou um árbitro por não ter aceito uma decisão atribuindo a vitoria para seu oponente. O verdadeiro espírito marcial se foi para deixar apenas espaço ao espírito competitivo. Criam se dois caminhos que levam a duas finalidades opostas e até antagonistas. Também devemos deplorar, ate no karatê, a adulteração das  formas tradicionais motivada pelo único desejo de fazer bonito, de criar o “espetacular”. E podemos apostar que regras do Karatê deverão ser modificadas para virar menos esotéricas aos leigos, para permanecer mais mediáticas. Nesse sentido o caso do judô é significativo. Gera muito polemica.

Pois o que pensar das novas regras de arbitragem detrminadas pela Federação Internacional de Judo? A questão proecupa todos os judocas divididos entre um sentimento de revolta ou de incompreensão.  Cinco meses após os Jogos olímpicos de Londres, na Inglaterra, A Federação internacional tinha que reagir frente a enorme polemica que suscitou a arbitragem. Mas, examinando as novas  regras, parece que o pior ainda é para chegar.

Publicadas num comunicado  em data do dia  2 de dezembro de 2012, as novas regras deverão ser experimentadas no Grande Slam de Paris em 2013 e até os Campeonatos do Mundo do Rio de Janeiro no mesmo ano. Primeiro motivo de preocupação! Pois se essas novas regras não convencem,  será então  muito difícil retira-las. O presidente da Federação Francesa de Judo (FFJDA), Jean Luc Rougé, declarou, no entanto, que  nada tinha ainda sido definitivamente determinado e que é apenas apos um seminário técnico, em Janeiro de 2013, na cidade de Malaga, Espanha, as decisões devem ser aplicadas.   A Federação Internacional de Judo (FIJ) declara que sim congressos técnicos devem ser organizados, inclusive a reunião de Malaga, porem apenas para formar árbitros. Querendo dizer que  as novas devem sim entrar em vigor no Torneio de paris. Segundo motivo de preocupação devido a diferencia de discurso.

Quanto ao conteúdo, a primeira grande mudança é a supressão dos de dois juízes no Koto. Apenas permanecerão o arbitro central e o arbitro de mesa no “controle vídeo em comunicação permanente radio com um integrante da comissão de arbitragem”. Esses três árbitros assim deveram  julgar o combate, “ a comissão da FIJ devendo apenas devendo intervir em caso de absoluta necessidade”.

Stupor! Na decisão final é o Coreano que vence. Seu treinador torce. O treinador japonês protesta.

Stupor! Na decisão final é o Coreano que vence. Seu treinador torce. O treinador japonês protesta.

Já podemos questionar esse sistema que melhor que dar mais poder aos árbitros, cria intermediários que arriscam fazer perdurar lutas ou criar acontecimentos lamentáveis tais como no quarto de final dos Jogos Olímpicos de Londres entre o Coreano Cho  e o Japonês Ebinuma (-66 kg). No Golden Score (ponto de ouro), o Japonês encaixa um ko-uchi-gari. Os árbitrospontuam Yuko antes da mesa central cancelar a decisão. A decisão da luta esta arbitrada na bandeirada e, surpresa, é o Coreano que ganha. Incompreensão e valhas no público. Todo mundo sabe quem banhou fora os árbitros! Na pressa, o diretor Mundial da arbitragem Juan Manuel Barcos  se direciona na mesa para cancelar a decisão. A final o Japonês vence a luta, porem o estrago já foi feito. A arbitragem do Judo não tem firmeza. A prova ficou obvio frente as câmeras do mundo inteiro.

Outra mudança : a supressão dos pontos  em caso de sanção. Até agora,  Chuí sancionava a contraparte para o adversário do yuko, do Keikoku para o waza Ari e do hansoku make para a  eliminação. Agora, apenas o hansoku make preserva seu poder eliminatório. Chui e Keikoku que permitiam um adversária pontuar caso houver não competitividade apenas conservam valor de advertência. Ou seja: arbítrios vão ser chamados a dar a vitoria para um lutador sancionado  duas ou três vezes por falta de competitividade ou por ter saído da área de luta mas que talvez marcou uma simples vantagem (yuko ou waza Ari)

Tal como no boxe essas penalidades tem um valor « técnico » e, cumuladas, atribuem a vitoria e quem recebeu a menor quantidade. Em caso de empate seria então uma luta com Ponto de ouro sem limitação de tempo. Porem aqui também, o mundo do Judo amplamente denunciou esse sistema de marcação determinando  que o primeiro a marcar uma vantagem vence a luta. Geralmente, por causa da pressão sobre a luta, os atletas apenas se contentam de um yuko e não se arriscam a tentar encaixar um ippon. Também por as lutas demoram então demais, espetáculo tão incompreensível que pouco estético para o leigo bem como o judoca experiente. Precisava por tanto criar tal regra? Nunca de todos os tempos, tantas lutas ultrapassaram o tempo regulamentar que nos Jogos de Londres. Isso resulta em lutas muito mais físicas que técnicas, e com muito menos Ippon espetacular.

Por fim e com certeza ainda mais polemico, nenhum judoca será autorizado a desfazer uma pegada com duas mãos. Ou seja, quem primeiro colocará duas mãos no dogi do adversário apenas precisara aplicar sua técnica sem possibilidade de defesa do oponente. “Como explicar isso a meus alunos quando eu ensino justamente o contrario há uma eternidade” A incompreensão é grande nas escolas de judô. Mas questionar a famosa batalha da kumikata é uma aberração que terá pouco a ganhar de encontros onde a lei do mais forte deve predominar. O judô japonês se destaca pois combina precisão, rapidez e técnica antes de força ou potência. São particularidade que há tempo deveriam ter servido de exemplo.

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