A definição literal do relaxamento é uma diminuição da tensão. Trata se na prática marcial de um fenômeno ativo que permite executar um movimento com o mínimo possível de energia. No entanto, o relaxamento é com  freqüência demais confundido com a moleza. Os praticantes a quem pedimos de relaxar os braços tem uma natural tendência em tirar toda a tensão muscular dos seus membros antes de contrai-os de novo iniciando o movimento desejado. Remédio pior que o sintoma já que a ação assim conduzida é imediatamente percebida, é será ineficiente. Se no gesto desportivo a prática é comum para gerar uma força bruta, o movimento assim desencadeado é contrário ao espírito marcial que pretende ser eficiente com a maior economia de recursos e sem ser percebido.

È preciso manter uma tensão imperceptível no corpo para gerar ume movimento pelo relaxamento muscular. È a traves de um imperceptível relaxamento dessas tensões musculares que assim nascerão os movimentos. Isso constitui um ponto de dificuldade por duas razões principais. Primeiro porque uma tensão importante e permanente pode cansar o organismo e, por conseqüência, todos os movimentos serão lentos. Segundo porque a nossa consciência esta naturalmente restrita, quando apenas permite a tensão das partes do corpo nas quais “pensa”. Ora todo um trabalho de reeducação deve consistir em ter uma sensação global do corpo. A técnica passa por essa reeducação da mente que permitirá solicitar diferentemente o corpo. Um ponto onde a prática, mais que qualquer discurso filosófico, leva a outra consciência  do ser.

Na pratica, a pesar ser admissível conceber certos conceitos teóricos, é obvio que apenas a própria experiência leva ao conhecimento e ao desenvolver de um verdadeiro « saber fazer ». Num mundo onde o segredo era regra, aparece óbvio que o mais importante permanece invisível. Certas formas técnicas eram essenciais muito menos em razão da superioridade de tal ou tal seqüência ou postura, e muito mais pelas possibilidades técnicas ofertas pelas mesmas ao praticante. Repetir as formas « exteriores » sem decodifica-as oferece um interesso limitado. Uma desse significado é o próprio relaxamento.

O gesto desportista não difere na maneira com a qual o homem solicita seu corpo. È apenas uma questão de grau de prática. Na verdade, o desportista apenas age como qualquer homem. Porém, submetíui seu corpo a um treinamento puxado que deu para ele a capacidade de fazer a mesma coisa de melhor maneira e durante mais tempo. È um trabalho formidável que requer sacrifícios e abnegação que pouco transparecem quando percebemos como evoluíram esses heróis dos tempos modernos. No entanto, continua ser um trabalho completamente diferente do requisitado pela pratica marcial.

No esporte moderno, é comum utilizar a palavra relaxamento para passar a solicita-a num propósito oposto das artes marciais. Como já visto, apenas trata se de um momento quando o atleta evacua qualquer tensão do seu corpo, essa ação permitindo  uma posterior contração maximal das suas fibras musculares, gerando maior eficiência nos seus gestos.

Na pratica marcial, o uso do relaxamento é contrário, sendo o movimento simultâneo e não posterior ao relaxamento. Nesse sentindo, uma projeção nunca será resultado de uma força, mas sim de um vazio, uma supressão, uma subtração. Em japonês utiliza-se a expressão “Chikara no wuku”, “retirar a força” que descreve exatamente a ação desejada e transmite claramente essa idéia de subtração.

De tal modo a otimizar ainda mais seu gesto, o desportista acrescenta mais recursos. Procura mais massa muscular, trabalha a velocidade de contração das suas fibras musculares, a força, a resistências delas. E consegue excelente resultados nessa busca. Porem, seu sucesso será temporário escolhendo esse caminho tal como o ápice na carreira do desportista permanece breve.

As escolas de artes marciais foram criadas numa época quando os bushis precisavam andar de armadura. O peso desse equipamento freqüentemente chegava a mais de 40 quilos e não devia impedir ao guerreiro de lutar o dia todo. Podemos apostar que existem poucos desportistas de hoje que poderiam se movimentar durante horas com tal equipamento. Mas para os samurais, dos mais jovens aos mais antigos, era uma questão de vida ou de morte.

È justamente isso que deve permanecer na nossa mente. A prioridade essencial do ser humano é sua sobrevivência. Não existe nenhum outro objetivo mais importante e potente ( a não ser talvez o amor configurando outro tipo de lute para a existência do seu semelhante). Frente ao perigo ou a morte, o ser humano é capaz dos mais incríveis fatos. No momento bem como no decorrer da existência. È nessa existência, familiarizados com a probabilidade ou a iminência da morte que os Bushis criaram e desenvolveram suas praticas marciais.

samurai

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