Hagakure – que pode ser traduzido tanto como “folhas ocultas” ou “oculto pelas folhas” – foi publicado em 10 de setembro de 1716, e é uma compilação das filosofias de Yamamoto Tsunemoto, um vassalo de Nabeshima Mitsuhige, o terceiro senhor do que agora é a prefeitura de Saga.

O livro é considerável não tanto pela suas filosofia, os quais dissertam desde assuntos profundos até mundanos passando por absurdos, mas pelo contexto histórico em que ele foi escrito. No ano em que Mitsuhige faleceu, em maio de 1700, o Japão havia completado exatamente 100 anos de paz. Isto havia deixado os samurai com o mesmo problema das forças militares modernas: o que é feito de um guerreiro disciplinado, orgulhoso, em épocas de paz duradoura? Essa mesma questão é discutida atualmente: assuntos políticos e problemas orçamentários se sobrepõe à prontidão e à moral militar. Considere então o quê o samurai, guerreiro do Japão feudal fanaticamente obcecado com honra e pronto para dar a vida pelo seu senhor, deve ter sentido ao ver a sua profissão se estagnar. O próprio Tsunemoto foi proibido de cometer junshi, o suicídio ritual em que o vassalo segue o seu senhor na morte, pelo Shogunato Tokugawa, e isso sem dúvida contribuiu para a sua frustração. Portanto, sob um ponto de vista, Hagakure não é apenas “O Livro do Samurai”, mas um último suspiro de uma casta em extinção.

Não existe publicacão conhecida disponível em lingua portuguesa na internet. No entanto, e em exclusividade para os leitores do Bubishi, publicamos hoje  as primeiras linhas da obra que em breve sera aqui disponibilizada pelo editor do site.

HAGAKURE

Descobri que o caminho do samurai sustenta-se na morte. Numa  situação de crise, quando tanto existem probabilidades para a vida quanto para a morte, é preciso de imediato escolher a morte. Nisso não tem nada de complicado: é preciso coragem e ação.  Alguns dizem que morrer sem ter completado a sua missão significa morrer em vão. Esse raciocínio adotado pelos mercantes cheio de orgulho de Osaka apenas constitui um falacioso cálculo, uma imitação caricatural da ética dos samurais.

É quase impossível a escolha ideal numa circunstância na qual as possibilidades de viver ou morrer são equivalentes. Todos nos preferimos viver e aparece natural o ser humano sempre achar boas razões para prosseguir na vida.

Quem escolhe o caminho da vida enquanto falhou na sua missão enfrentará o desprezo e será de vez um covarde e um fracassado.

Quem morre depois de ter falhado, desaparece de um fim fanática  podendo parecer inútil. Porém não enfrentará a vergonha. Assim é o Caminho do Samurai.

Para ser um verdadeiro samurai, é preciso  preparar-se para a morte em qualquer momento do dia.

Quando um samurai é permanentemente disposto a morrer, ele atinge o pleno domínio do Caminho e pode assim disponibilizar sua inteira existência ao seu Mestre

* * * * * * * *

Alguns nasceram com a capacidade de agir com sabedoria quando requerido pelas circunstâncias. Outros necessitam permanecer acordados durante horas, angustiados, para finalmente achar a solução correta do problema apresentado. Entretanto, apesar essas diferenças naturais ser inevitáveis, qualquer um pode desenvolver a capacidade de uma surpreendente sabedoria enquanto adotando a regra dos quatros desejos.

Parece que qualquer sejam as capacidades pessoais e a complexidade da situação, todos podem achar uma solução graças a um devido e suficiente raciocínio.

Enquanto organizando sua linha de raciocínio focando sobre o “Ego”, somos eventualmente cautelosos e engenhosos porem longe de ser sábios.

Os seres humanos são insanos e tem grande dificuldade em esquecer seu Ego. No entanto, o individuo encarando uma situação de tamanha dificuldade tem todas as possibilidades achar uma solução quando conseguir extrapolar os termos do problema, concentrando-se sobre os “quatros desejos” e  deixando do lado seu Ego.”

Anúncios