Volto sobre algumas considerações a respeito do Ultimo campeonato pernambucano unificado de karatê cuja segunda edição foi ultimamente sediada no Ginásio do Geraldão na cidade do Recife.  Para dizer a verdade nem quero ressaltar a vitoria de um ou  outro , apesar a reunião num mesmo lugar da grande parte das  federações pernambucana tão diferentes (pela forma de administração, pela natureza das suas regras e pela obvia disparidade de qualidade técnica entre elas) constituir a garantia de certa legitimidade  na atribuição do tão cobiçado titulo de campeão pernambucano. Confesso no  entanto permanecer decepcionado quanto a realização do referido evento, a realidade do mesmo sendo a mil anos luz do sonho inspirado pela sua idealização, ou seja, a reunificação de uma modalidade disseminada nos quatros cantos do ego humano.

 Permaneço deplorando a realidade dos fatos. O karatê contemporâneo perdeu na sua essência, na sua eficiência e moralidade. Ele se afastou drasticamente da ética  introduzida por fundadores  preocupados em perenizar os valores do Budo e deixou campo aberto para a ilusão de um mundo moderna   enxergando seu sucesso no ganho rápido, fácil e a qualquer custo.

 Também perdeu ele a sua eficiência, esquecendo  seu verdadeiro propósito,  a defesa pessoal,  tornando-se simples  modalidade desportiva com todas as conseqüências previsíveis  e principalmente a falta de credibilidade de certos estilos se aproximando eventualmente mais do balé clássico que da luta marcial.

Por fim perdeu em moralidade quando inúmeros dirigentes atualmente na administração de certas federações são covardes, ladrões, mentirosos e de pouca vergonha  mas pretendem ainda ter a capacidade de criar campeões de verdade.

E ressalto: o campeonato unificado nem chegou a cumprir o mínimo básico da esperança por ele suscitado. Pois ainda apenas configura a reunião de federações que nele enxergam a oportunidade de faturar mais uma fatia de um bolo financeiro que não  imaginam abandonar.

 Ou seja, ao unificado de karatê ainda  falta a sinceridade  que destarte nos deixavam pensar na ambição de resgatar a força e a veracidade de uma tradição.

Falta muito ainda para conseguir essa meta. E são poucos, mas existem, os justos e sinceros que ainda lutam para o conhecimento de ontem não se perder para sempre.

 A unificação do karatê pode talvez ser um sonho. Mas até que ponto seu renascimento não passa de uma quimera?

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