Meditando hoje nas margens do Rio São Francisco, no centro de Petrolina, pensando  nessas motivações que ainda tenho, enquanto treinando karatê  muitas vezes sozinho, e detalhando as subtilidades  dos  fundamentos dessa arte que tive o grande privilegio de estudar sob a supervisão de mestres indubitáveis da modalidade, repetindo katas e formas até exaustão, até esse sentimento de eventualmente ter percebido  nelas as razoes pelas quais foram transmitidos gerações após gerações .

“Deve ser gostoso treinar isso comentou uma pessoa aproximando-se para afastar-se após ter-me dado um caloroso “bom dia”.

Sim! É gostoso treinar karatê apenas pelo desejo de  atingir a perfeição na execução de um kata . É também gostoso, como bastante desafiador,  treinar  visualizando esses adversários imaginários enquanto repetindo seqüencias de kihon tão básicos que a incansável repetição das mesmas  disponibiliza  um riquíssimo arsenal  de técnicas de auto defesa  na eventualidade de um dia se encontrar numa situação de tal periculosidade. É ótimo treinar karatê sem pensar em graduações, em competições, em pontos, em medalhas, nessas ilusões enganadoras criadas pela propagação do karatê comercial e competitivo.   Só pensar na eficiência e deixar crescer dentro de sim a certeza de trilhar o caminho certo .

E lembrar as palavras de Lao Tseu, (“…O mole vence o duro. O vácuo penetra o pleno.Nisto se revela a poderosa atuação do não agir.Entretanto, poucos homens na Terra sabem do segredo do ensinamento sem palavras e do Poder do agir pelo não agir …”), do poder nos ensinamento do Wu-wei, bem longe de ser objeto de analise mas sim , e antes de tudo, objeto de profunda intuição.

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