Publicamos uma matéria escrita por Edson Formosino da Silva e confortando uma opinião previamente exposta e defendida de longa data por esse site e na qual nos deparamos infelizmente com a verdadeira imagem do mundo marcial de hoje.

Desde as épocas mais remotas as artes marciais foram sinônimas de autodefesa e sobrevivência. Onde a pratica era direcionada sempre para manutenção da saúde e preservação da vida. Frente a constantes confrontos para defender seu território ou mesmo para emancipação de seu país, os povos orientais desenvolveram técnicas de lutas para se manterem seguras e preservar a paz.

Com a grande divulgação ocorrida após a segunda guerra mundial, as artes marciais migraram para o ocidente como uma nova forma de manutenção da saúde e como forma de autodefesa. No início, muitos ignoraram a eficiência das técnicas usadas nas artes marciais, sendo apenas valorizadas pelas forças de segurança que já sabiam o potencial contido nessas técnicas.

Com o passar dos anos a grande proliferação de academias e o começo das competições esportivas deram novo rumo às artes orientais. Algumas sofreram sérias mudanças para serem enquadradas as realidades exigidas nas competições.

Com essas mudanças, muitas artes marciais começaram a perder a sua essência de autodefesa e tornaram-se especificamente esportes marciais, onde o treinamento que antes era direcionado só para defesa pessoal agora era direcionado para obtenção de títulos e premiações.

Essas mudanças também trouxeram outra conseqüência que foi a mercantilização das artes nas academias, onde muitos professores quando viram a chance de aumentar sua renda fazendo exames de faixas e em alguns casos cobrando valores exorbitantes começaram a perder aquela exigência que era peculiar no início e que agora tornou o aluno apenas mais um cliente que traz uma renda extra a alguns e meio de vida para outros.

Causando com isso grande prejuízo aqueles que desejam aprender uma arte para se defenderem na vida real e que não estão preocupados com o lado esportivo existente nelas.

Isso fez com que o ganho descontrolado, que em algumas artes não é fiscalizado pelas organizações responsáveis (federações), onde em alguns casos não são seguidas as carências mínimas de cada graduação, mas que na ânsia de ganhar mais e mais passam por cima e recebem apoio dos órgãos fiscalizadores, pois esses órgãos deveriam observar a carência na hora de receber as suas taxas de exames, mas não o fazem, pois, também estão preocupadas em ter uma renda a mais em seus cofres.

Isso faz com que vejamos pessoas ostentando graduações altas serem terem a mínima condição e nem conhecimento para tal, mas que beneficiadas pela ganância de alguns para  ganharem dinheiro com a arte marcial que praticam e esses também, pensando em ter uma alta graduação, para poderem também futuramente examinar e terem lucros com isso também.

Tornando isso um ciclo vicioso, que só traz prejuízo as artes marciais e aqueles que sonham um dia em serem bons praticantes e ate professores.

Se as entidades federativas fizessem um trabalho de fiscalização sério em seus filiados isso com certeza acabariam, não recebendo as taxas daqueles que examinassem fora da carência exigidas para cada faixa. Hoje a fiscalização também se torna um pouco complicada devido a inúmeras federações existentes e que por isso atrapalha tal trabalho, mas creio que se cada entidade fiscalizasse seus filiados melhorava. Se falarmos todas dirão que fazem, mas na prática isso não ocorre. Infelizmente amigos, arte marcial hoje virou comércio de exame de faixa e de competição. Muita gente preocupada em ganhar sempre mais.

Edson Formosino da Silva
9º Dan Kickboxing
6º Dan Karatê

Acrescentamos a esse texto isento de circunvoluções nossa opinião própria sobre a onda de hipocrisia sob a qual surfa maior parte dos “artistas marciais”. Pois tal como se trata de entrar em política ou religião, o ensino das artes marciais pretende abrir as portas sob uma filosofia da verdade e da sinceridade, porém tendo sido adulterada do seu sentido original quando (re) descoberta pela divulgação anárquica das artes marciais no ocidente, assim revelando certos conceitos tipicamente orientais ou reforçando outros bem conhecidos e já ignorados nas nossas morais decadentes.

Avaliamos o ensino de qualquer arte marcial ser edificado acima de um contrato moral firmado entre um professor e um aluno. Ora reparemos que grande quantidade das “sumidades” das artes marciais apontando sobre a ética e a profundeza desse contrato moral não fazem diligencia para ter a mesma exigência moral e intelectual assim que deixam os tatames da virtude para percorrer no dia a dia outros caminhos da mentira e da falsidade ideológica. Também lamentamos a proliferação de alunos ou “discípulos” faltando de respeito e compromisso para o próprio “mestre” de que sugam certo conhecimento para desconsiderar e desrespeitar-lo assim o mesmo ficando velho e em aparência mais frágil.

Além de ter sido afastado do seu sentido original, como lembrado pelo Shihan Formosino, a fiel transmissão de  tradições milenares esta sendo hoje adulterada do seu propósito inicial, ou seja, o aprendizagem da vida, para ser divulgada acima da mentira de poucos mas sustentando a credulidade  de muitos.

Xavier Henri Baudequin

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