Dentro das inumeras reações provocadas pela leitura da carta de Aldo Lubes, destacamos a resposta seguinte coletada na internet para responder a uma carta do Avogado e karateka Padilha, bem conhecido no mundo do karatê brasileiro, resposta escrita pelo Max Pagano:

Prezado Dr. Padilha,

Inúmeras vezes as polêmicas e os diversos pontos de vista geram debates que por um lado positivo, faz aproximar as pessoas.

Fiquei feliz em ver seu manifesto em defesa da CBK com os argumentos descritos em seu e-mail resposta ao Sr. Aldo Lubes. Estimo muito a sua pessoa e aproveito sempre para ver teus e-mails a respeito de artes marciais, filosofia, espiritualidade e outros temas que me fazem ter a certeza de que o Sr. é não apenas um apreciador do nosso esporte, nossa arte, nosso caminho, mas também um estudioso, conhecedor, amante, da nossa nobre arte.

Contudo não posso deixar de comentar e sair em defesa do Prof. Aldo Lubes o qual estimo e tenho grande amizade, que realmente é movido por questões emocionais e não por isso equivocadas. Assim como o Prof. Aldo eu participei como atleta da CBK durante 20 anos de minha carreira como atleta, e pude chegar a conclusões óbvias totalmente desprovidas de argumentos baseados em emoções, mas sim em fatos.

Posso descrever apenas alguns deles que fazem com que a CBK tenha uma rejeição enorme por parte da maioria dos atletas brasileiros e aceita por uma pequena minoria, que são os presidentes de federações, incentivados por migalhas, abonos de débitos financeiros, títulos de nenhuma importância, dans e outras situações que aos olhos de pessoas intelectuais como o senhor, tenho certeza, não dariam  a menor importância.

Durante meus 20 anos com a seleção Brasileira a qual defendi com orgulho e suor, posso dizer que não tive o menor apoio da CBK. Todo o esforço criado, busca de conhecimento, treinamento, passagens, estadias, alimentação, transporte e até mesmo palavras de incentivo, ou quaisquer outras situações que qualquer atleta merece, tive que fazê-lo sozinho, sem a menor ajuda.

Mas está bem! Não vou falar apenas por mim o que seria uma atitude extremamente egoísta  Posso garantir que meus 15 companheiros que viveram comigo nesta caminhada também não receberam quaisquer destes benefícios pela CBK e dividem comigo a angústia de ver um país pobre e enfraquecido em seu aspecto competitivo.

Mas desculpe! É claro que a CBK não trabalha apenas em prol do esporte competitivo, e eu não posso ser mais uma vez egoísta em acreditar que a CBK faria esforços para amparar os atletas órfãos que fomos, sendo que seu esforço maior se deve a comunidade Karateísta Brasilieira, atuando para as academias, seus alunos, objetivando aspectos sociais, desenvolver e engrandecer a arte em todo o país como um ensino a tornar crianças repletas de conhecimento, arte, esporte e educação tão carente em nosso país. Mas a CBK fez isso? O que fez a CBK em mais de uma década de seu reinado? Quais foram suas benfeitorias para toda nossa comunidade? É a ausência destas respostas que move a emoção do Prof. Aldo Lubes em por diversas vezes se manifestar contrário as atividades da CBK.

Por estes motivos e fatos não vejo como esta instituição, através de sua diretoria atual, pode ser benéfica ao nosso país, independente da regra que a colocou e a mantém no poder.

Mas tenho certeza que pessoas como o Prof. Aldo Lubes, que é um amante do karatê, um mestre respeitado em sua cidade e também pelos atletas da seleção brasileira, tem todo o direito de se manifestar contrários ao que existe hoje. A CBK sequer mantém a história de nossa arte. Esquecidos pela CBK que perde sua memória com atletas e mestres brilhantes como Hugo Arrigone, Ricardo Délia, Freizer, Enio Vezuli, Johannes Carl Freiberg, Altamiro Cruz, Jose Carlos Gomes de Oliveira, Antonio Pinto – Pré, Nelson Sardemberg, Celio Rene, Maria Cecília, Iara Oliveira …. E o que falar de pessoas como Carla Ribeiro, Antonio Flavio Testa e outros que abandonaram a instituição, mas não o esporte, por perceber que o seu presidente jamais faria qualquer ato benéfico ao nosso país? E eles estavam certos. Veja que meu desabafo também é grande, apesar de não mais participar diretamente da instituição, pois a indignação em ver sonhos destruídos e realidades improdutivas me enraivece. Note que não é nem por mim !!

Hoje existe um grupo reunido no Brasil que clama por  por engrandecimento, por competições melhores, por projetos de lei de incentivo ao esporte, agregar estados distantes e mais carentes como os do Norte e Nordeste, mostrar as crianças os poucos heróis de nossa história, levar cursos a locais distantes, qualificar árbitros (hoje só temos um incapaz de dar chances a outros), qualificar e integrar professores com a seleção, incentivar a indústria de equipamentos e vestuário, fotos, imagens, televisão, agregar patrocinadores e inúmeras outras possibilidades que temos mas que hoje sequer são imaginadas.

Muitas vezes torço e rezo para que a CBK, ao ler um e-mail como este se sensibilize e passe a fazer tudo isto que estou escrevendo. Juro que eu não iria contra. Eu ajudaria para ver um karatê melhor em nosso país.  Mas Dr. Padilha, eu lhe faço um desafio. O Sr. que tem idéias e empresaria como poucos, age, faz e é uma pessoa brilhante! Experimente ajudar a CBK. Assim como tentou o Prof. Aldo  e outros grandes profissionais que por lá atuam. Posso falar da Sra. Mirtha, meu amigo Romic, meu amigo Luis Otavio Lacombe, que também não conseguem desempenhar o potencial que possuem, e amam o karatê. Tenho certeza que um profissional como você faria uma grande diferença no nosso cenário nacional.

Mas sei que isso não vai acontecer. Infelizmente mentalidade do líder enfraquece os demais. E enquanto a regra permite que ele esteja por lá de acordo com as regras da política, eternizado pelo seu estatuto e procurações dos presidentes  …

FODA-SE O BRASIL COM TODO OS SEUS  KARATECAS.
E VIVA A CBK !!!!

Cordiais Saudações.
Max Pagano

Ora, bem como foi mencionado por nosso amigo e correspondente do site Bubishi, Andre Farkatt, basta substituir as palavras CBK por FPK para entender que tudo fica perfeitamente encaixado e que o que pretendeia singularizar a situação do karatê a nivel federal  nas palavras do Maz Pagano também infelizmente representa a calamitosa situação da nossa modalidade a nivel estadual: a mesma incompetência gera a mesma falta de resultado e de perpectivas.

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