Curitiba 27 de maio de 2010
Ofício n°. 024/2010-FPRK
 
 
 
À
Diretoria Interina da CBK
 
Assunto: Esclarecimentos à comunidade Karateista
 
 
 
 Prezados Karatecas:

A presente carta pretende esclarecer a comunidade karateísta quanto a história do karate nacional, a qual teve muitos caratecas envolvidos no seu crescimento. E, Karatecas chamo aqueles que vestem ou vestiram o kimono por longo ou breve tempo se esforçando e suando a vestimenta no âmbito esportivo ou cultural, adquirindo uma sensibilidade social dentro dos preceitos do Karatê-Dô, considerados como preceitos universais. 
                        Em 15 de agosto de 1986, na cidade de Curitiba, realizou-se o Campeonato Brasileiro por equipe com regras IAKF, e o I Campeonato aberto Brasileiro por categoria de peso com regras WUKO, em homenagem ao Professor Denílson Caribe que tinha falecido recentemente em um acidente de trânsito. A homenagem foi um tributo ao esforço do Professor Denílson que sonhava ver o Karatê como esporte de sucesso. A idéia surgiu no Paraná e foi aceita pela Confederação Brasileira de Pugilismo que deu a autorização, e o Paraná o realizou.
                        Nesse evento, quase todos os estados do Brasil estiveram presentes e pudemos oferecer à todos os participantes, atletas, árbitros, dirigentes de Federação e Confederação, estadia e alimentação gratuita em hotéis e alojamentos, inclusive as premiações que ficaram a cargo da Federação do Paraná. Todo esse esforço tinha o objetivo de mostrar a C.B.P. que os esportistas de Karatê tinham alcançado a maturidade e capacidade para ter a sua própria Confederação. Nesse dia, foi escolhida a Comissão Provisória que prepararia os Estatutos e a 1ª eleição. A título de esclarecimento, a Diretoria Fundadora que consta hoje no estatuto da CBK é de fato a Comissão Provisória, pois a 1ª eleição foi realizada no Rio de Janeiro, sendo o Sr. Marcelo Arantes (MG) eleito Presidente.
                        Com isso, o objetivo tinha sido alcançado, mas parece que alguém não ficou satisfeito, pois queria a todo custo ser o manda-chuva da CBK, uma vez que já o era na CBP, entidade na qual tinha posto de Vice-Presidente, pois tinha concorrido ao cargo de presidente da CBK, mas havia perdido por um voto (o meu). Naquele momento, não votei nesta pessoa porque achava que usava de esperteza e malícia, comportamento e atitudes contrárias aos preceitos do Karatê.
                        Na 2ª eleição, o Sr. Marcelo não quis continuar e se apresentaram como candidatos em uma chapa o Sr. Teruo Furucho (RJ) e Vice, o Sr. Luis Carlos Cardoso (CE) e na outra chapa o Sr. Edgar Ferraz de Oliveira e Vice, o Sr. Fauzi Abdala João. Na época, por insistência de amigos, acabei aceitando o convite para ser o Diretor Técnico na chapa do Edgar/Fauzi. A eleição foi em BH e quem esteve presente deve se lembrar que foi muito movimentada devido a esperteza do Sr. Fauzi que fez anular o voto do Ceará, já que ele, através de uma sindicância em Fortaleza, tinha descoberto que a Federação do Ceará não era legal.
                        O meu conhecimento sobre os senhores Edgar/Fauzi era superficial. Afinal, os meus encontros com eles sempre foram em competições de karate. Ainda mais, tinha a esperança que o Edgar por ter treinado Karatê e ter sido aluno (assim dizia, apesar de eu nunca o ter encontrado nos treinamentos) do meu Professor Juichi Sagara, tivesse a sensibilidade de um karateca. Infelizmente, foi um grande engano, pois os treinamentos de karate do Edgar foram superficiais, mesmo que hoje ele ostente o 7º. Dan. Graduação essa que é um mistério, já que parou de treinar a muito tempo e ninguém sequer lembra de ter visto ele de kimono, mas deve ser semelhante ao 8º. Dan do Fauzi que nunca vestiu o kimono…Por terem conseguidos  os Dans desta forma, hoje existe o Exame Especial, no qual pode se distribuir dans por todo o Brasil, claro que a um custo altíssimo.
                        De qualquer maneira, dediquei-me com todo o empenho na função de Diretor Técnico, criando as divisões regionais (zonais) e as eliminatórias duplas e pensando sempre nas distâncias que separam os Estados e o sacrifício que os atletas fazem em fazer grandes viagens para participar. Muitas vezes, esses atletas, por causa de um erro de arbitragem são eliminados na primeira luta e todo o investimento físico e financeiro são jogados fora.  Com os regionais (zonais), havia um paliativo e os atletas não ficavam com o sentimento de frustração.  Como Diretor Técnico, viajei quase todo o Brasil, organizando e participando também como atleta para dar o exemplo para os mais novos. Isso durou vários anos e as Federações participavam com entusiasmo, mas politicamente não era conveniente para a dupla da CBK que não podia estar presente em todas as competições, o que não era conveniente, na opinião deles, que as Federações se reunissem sem que eles estivessem presentes.  Então, com malicia e esperteza, esse sistema foi retirado, retornando a um campeonato único por todo o nosso território, que é de tamanho continental. Com isso, podiam controlar politicamente as Federações, angariando apoio através da distribuição de graus  e outros benefícios concedidos… para quem estivesse ao lado dele. Dessa forma, conseguiram perpetuar-se na CBK.
                        Pelo CBJD e Ministério do Esporte, as Confederações devem se dedicar e empenhar-se ao Desporto de Alto Rendimento, organizando competições nacionais para que os atletas formados pelos Clubes e Federações participem, descobrindo novos valores entre os jovens. Com isso, formando atletas que representem o País da melhor maneira possível, tecnicamente e esportivamente, dentro dos regulamentos esportivos atuais.
                        A CBK não dá aula de karate e somente deveria auxiliar as Federações, uma vez que são elas que realizam os campeonatos e a um caro preço, visto as obrigações do Estatuto da CBK.    As Federações e os Clubes preparam os atletas dentro dos conceitos do Karate tanto tecnicamente como moralmente, mas a CBK em vez de se preocupar com a sua função de administradora do Esporte se preocupa com quem deve usar a faixa preta, mesmo não ensinando e sequer conhecendo os praticantes.
                        A cobrança de registro na Entidade Mater, que na verdade não é Mãe, mas sim Filha das Federações, é uma taxa absurda. Isso é colocar a mão no bolso dos praticantes, pior ainda, é não reverter isso em beneficio dos associados, mas em beneficio pessoal. A lei diz que isso é crime!
                        Em resumo, isso é o que aconteceu comigo e a Entidade que neste momento presido (FPRK). Fui exonerado do cargo de Diretor Técnico porque me manifestei contrário, como cidadão, a estes abusos.
                        Então, não é como divulga a CBK, que faz circular pelo Brasil que entrei na justiça por ter sido exonerado. O que aconteceu foi exatamente o contrário. A esperteza da CBK é maquiavélica!
                        Prova de toda sua esperteza maquiavélica, foi realizar a ultima Assembléia eletiva em Fortaleza (CE) e não na sede da CBK (S.Paulo) como sempre foi feito, fazendo de bobos os karatecas que não tem a esperteza dele. No entanto, não fez de bobo o Sr. JUIZ, que anulou a eleição e como diz o ditado: “a Justiça tarda mas não falha”.
                        Nós, da FPRK, pedimos os recibos da anuidade de nossa entidade, das taxas de competição dos nossos atletas e anuidades daqueles que participaram no Campeonato de Maceió. Enviamos um e-mail a todos os Diretores da CBK para sensibilizá-los em suas funções e aos nossos filiados e amigos do Karatê para poderem acompanhar os andamentos da política nacional do Karate. Afinal, gostamos da C.BK. e nos esforçamos muito junto com outros para sua fundação, mas não concordamos com a forma como está sendo gerenciada.
                        Em resposta a nossa solicitação, recebemos os recibos correspondentes, mas, assinados pela Sra. Mirtha, amiga nossa e que nós respeitamos muito, porém é funcionaria da CBK. O Presidente e o Tesoureiro da CBK não assinam nada. Porque será? Não recebemos o Alvará solicitado, conforme divulgado pela CBK na sua tabela de custa de 2010, mesmo tendo efetuado o pagamento e a única resposta da CBK para nossa solicitação, foi uma cópia de um oficio de17 de março de 2010, n°. 074/2010, ao qual foi respondido adequadamente em 26 de março de 2010, como consta em anexo.
                        Para seu conhecimento, anexamos cópia dos nossos pagamentos com a data correspondente.
                        Assim, quem desrespeita os Estatutos da CBK é a mesma CBK, a impunidade lhe permite fazer os abusos que faz.

“ NÃO DEVEMOS TER MEDO DOS CONFRONTOS……, ATÉ OS PLANETAS SE CHOCAM E DO CAOS NASCEM ESTRELAS” Charles Chaplin.
(obrigado ao André Maraschin por ter-me enviado esta frase-Oss)

                                               Um caloroso OSS a todos, continuo tranqüilo e sereno na graça de Deus. OSS

                                                                  ALDO LUBES
                                 Presidente da Federação Paranaense de Karatê

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