villa-nomade-mosaiqueQualquer nômade precisa curar de certa ferida aberta e cedo ou tarde questionar quanto tempo vai ficar no mesmo lugar. Pois tudo na vida dele tem a ver ao com tal duração da viagem, com o fato de parar ou não num pedaço desconhecido de terra, com a necessidade de falar outra linguá ou dialeto , de descobrir nova cultura e modos de fazer, outro jeito de respirar e comer, mas, no entanto, sempre com aparência de tudo esquecer, pois devastador contra-tempo seria o prepotente sentimento de não ter mais nada para aprender e descobrir, ou talvez – digo talvez pois sendo eu viajante convencido não tenho certeza sobre nada – não ter mais a capacidade de ver as cores do despertar num outro jardim, ou seja, numa outra consciência fértil animada pela sede de conhecimento …

 

Qualquer nômade não pode de tal modo admitir certas palavras, as mais obvias delas sendo sem duvida « nunca » e « sempre ». A final, ele não é diferente de outros sedentários precisando ser igualmente avisado – a sabedoria popular geralmente cuida disso – sobre as conseqüências do uso devastador de tais substantivos.

 

Nesse começo de ano preciso pegar de volta meu bastão de peregrino. Tem signos no ar que raramente enganam a respeito. Se até hoje desconfiei dessas palavras nunca e sempre., porque de repente isso deveria mudar?

 

Viajarei aqui e la, não sei, posso afirmar isso não ter verdadeira importância. Confesso no entanto já ter admitido duas digressões importantes na minha habitual regra de conduta.

 

Em primeiro lugar reiterei uma promessa que eu já fez uma unica vez quando deixando certo diaCAHP1725 outra terra arrida e castigada pelo sol, declarei no momento de subir no avião: « Não vou embora, estou me ausentando », deixando por conseqüência bem claro que eu iria voltar qualquer dia. Isto representa uma grave violação ao código de conduto do nômade verdadeiro. Mas como qualquer um, esse, no caso eu, pode pecar e ter o direito ao erro por tanto que não permanece nele. Fazê o que meu compadre!

 

Em segundo lugar prometo também, antes de dar as costas no dia da minha saída, de virar os olhos por cima do meu ombro direto e conceder um ultima olhadinha de despedida… Isso eu nunca ainda fez antes de chegar para viver aqui no Recife. É marca notável de que algo incomum aconteceu durante esses últimos treze anos. Algo que deve ter a ver com coisa genuinamente brasileira e que não tem verdadeira correspondência em outra língua, pelo menos na minha lingua maternal. Trata-se da “saudade”, palavra magnifica entre outras pois geralmente compartilhada tão pelo viajante que vai que pelo outro que fica.

 

Não podia ter melhor prova que o nômade nunca escolhe a facilidade nessa vida de viagens sem fim e que até os seres com a mais endurecida aparência também tem alma de sonhadores.

 

Obrigado para todos e… até logo.

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