Fiquei bastante curioso conferir na pagina oficial do Orkut da CBK uma possível analise dos motivos ou das desculpas para chegar a uma explicação satisfatória a derrota vergonhosa do Brasil nos últimos campeonatos mundial da Karatê em Rabbat, Marroco.

orkutcbk

ver link: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=29178028&tid=5404614449628835741&na=1&nst=1

Infelizmente não vi nada de novo nessa tentativa de analise, até porque de entrada o post se auto intitula « Hipothese », nada de novo e de mais convincente que todos já sabem, nada sobre as verdadeiras razões de tal fiasco e que pudessem sim ser escrito com as palavras precisando ser publicadas, mas sob pena claro de ser apagadas pelo moderador da pagina como é de praxis la nessa pagina.

 

Pois como se diz numa outra cultura, « precisa-se chamar um gato um gato e um rato um rato ». O próprio José Roberto admite -o: « não se trata de questão econômica », pois países emergentes e ate sub desenvolvidos, quando comparecidos com outras nações altamente desenvolvidas, conseguem onde o Brasil falha com tanto brilho. Ora querendo ou não o Brasil tem todos os recursos necessários para ser um gigante do esporte mundial, que seja nas artes marciais ou em outras modalidades. Pois alem do « Pre Sal » tem primeiro um patrimônio humano, um potencial riquíssimo de atletas dedicados e prontos a todos os sacrifícios.

 

Nesse exato ponto quero no entanto discordar quando continua escrevendo o José Roberto « Em geral, lamentavelmente, o que sobra para o esporte amador são migalhas e/ou a dependência que possuem dos clubes de futebol »! O dinheiro existe, ele esta disponibilizado como nunca foi por outros governos e falta só as vezes a capacidade dos responsáveis de entidades de saber elaborar projetos destinados as repartições publicas para captar recursos. 4% dos recursos da União são assim reservados as entidades desportivas. E totalmente falso por tanto continuar escrever que financiamento não tem!

 

Onde devemos sim ficar vigilante é quando esses recursos são efetivamente captados por entidades oficiais e como eles são na pratica utilizados, o melhor e ultimo exemplo disso sendo o caso do projeito « Alem do Esportes » cujos recursos foram ventilados de um modo que nem o tribunal de conta do Estado do Rio Grande do Sul entendeu, de forma suficiente para motivar um processo que ainda corre na Justícia ver matéria a respeito http://www.bubishi.net/?p=1116

 

Tampouco suficiente é o argumento afirmando « o que enfraquece o pinçamento das amostragens, confunde a imprensa, patrocinadores e público, além de propiciar a manutenção de nichos político-eleitorais que acabam por usufruir desta nefasta legislação » . O que querem imprensa e publico são vitorias, alias vitorias internacionais, e pouco importa contra quem e em que modalidade ( aposto que se tivéssemos vários campeãs mundial de cuspe de caroço de acerola no Brasil a modalidade já teria aparecida no Esportes Espetacular, no Fantástico senão no Domingo do Faustão). Quanto ao patrocinadores, por ter sido um desses durante bastante tempo no meu estado, o Pernambuco, sei que eles querem acima de tudo retorno sob investimentos, já que patrocínio é investimento, resultados que raramente chegam pois muitos ainda pensam no Brasil que para ser patrocinado no Brasil basta pegar grana , botar nome num boné, e ir embora. Até presidente de entidades estaduais pensam isso. É loucura!

 

O grande Satã seria a Lei Pelé que favoreceu a desmultiplicação de entidades? É verdade sim que a fragmentação do Karatê é a contra parte da referida lei. Mas quem diz que se fosse mais unido o Karatê teria mais sucesso? Até prova do contrario, o Judo Brasileiro só possui duas entidades, a CBJ e a Liga Nacional de Judo, tal como na França existem duas entidade no karatê, a Federação Francesa de Karatê e a Federação Francesa de Karatê Tradicional, ambas reconhecidas. Mas como explicar então que para poder participar do Mundial de Roterdã, judocas brasileiros tiveram que pagar passagens?

 

Acho sinceramente que falta coragem para reconhecer que o fracasso da representação Brasileira nesse campeonato mundial é a conseqüência de falhas organizacionais e sobre tudo de insuficiências humanas, intelectuais ou morais.

 

Não existe no Brasil nenhum trabalho feito a longo prazo para construir e impor uma seleção nacional de karatê: para isso teria que agir sem querer lucrar no imediato, pensar no futuro. Não existe Centro de Treinamento, não existe estrutura de alto nível. « Isso não é fácil organizar ! » Sim! Não é fácil organizar! Mas isso é o trabalho que deveria ser feito pelos responsáveis de confederações. Eles são pago, e bem pago, para isso!

 

Uma seleção nacional não se faz poucas semanas antes de tal evento. Uma seleção nacional deve ser identificada cedo, preparada, treinada em centros especiais, com treinadores e peritos qualificados, pagos para isso.

 

Não deveria ser admitidos atletas em competições só porque podem pagar passagens. A própria confederação deveria arcar com todos os custos dos melhores atletas, o que ela não faz. Porque?

 

Enquanto o karatê continuar ser considerado simples comercio no Brasil, ou seja fonte de enriquecimento licite ou não a modalidade não ira para frente. O de que se trata portanto não é exclusivamente de mudar os homens responsáveis por esse escandaloso fracasso mas sim de mudar as mentalidades e acima de tudo aniquilar esse sentimento que nada poder ser feito.

 

Mas sera que tem a vontade e o coragem para isso acontecer. Varias experiências e conselhos do exterior foram no passado sugeridos no sentido de fazer crescer o karatê de entidade estaduais brasileiras. Técnicos ou peritos chegaram da Europa ou de outras partes do mundo. O que foi lembrado desses conselhos ? Só o que permitiu lucrar mais no imediato. O resto, ou seja tudo o que podia permitir esboçar um renascimento do karatê no Brasil foi cuidadosamente ignorado para sobre tudo não mudar nada e continuar no mesmo erro e na satisfação geral…

 

Os resultados dos últimos campeonatos mundial de karatê Junior e cadet de Rabbat são a logica safra dessa cultura morte-nascida…  

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