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2 milhões de karateka no Brasil, 214 mil na França !

 

Nada adianta comparar o que não pode ser comparado: cada pais tem suas particularidades e o modelo certo para um pais não pode com total certeza adaptar-se num outro. Farei no entanto nesses primeiras horas após minha volta de viagem na França, um paralelo lógico entre duas nações forte do karatê, o Brasil e a França , as mesmas tendo um padrão de administração desportista radicalmente diferente.

 

Alguns dados importantes precisam ser relembrado…

 O Brasil, com suas 9 confederações atuais de karatê contabiliza mais ou menos hoje 2 milhões de praticantes. A França tem uma única federação reconhecida ao nível internacional pelo estado francês e contabiliza uns 214 000 praticantes. Tal proporção poderia significar um vantagem significativo para o Brasil no ranking mundial…

 

No entanto enquanto Brasil só tem 2 juizes de nível internacional, A França possui mais de 30 juizes internacionais. Alem disso se a França possui um palmares internacional ao nível mundial quais são as conquistas mundial do Brasil fora o título de Luiz Iniacio Watanabe em 1972em Paris e da Ciça em 1998 no Rio de Janeiro? Poucas…

 

Pois enquanto isso França contabiliza 25 títulos mundial cujo 19 individuais em categoria masculino e no total 85 medalhas, e 12 títulos mundial feminino cujo 8 individuais e 40 medalhas no total… sem contabilizar os 105 títulos europeus masculino (81 individuais) e as 276 medalhas no total bem como os 38 títulos europeu feminino (26 individuais) por um total de 91 medalhas…

Não adiantaria acrescentar os títulos em copas do mundo nem nos campeonatos mundial júnior para provar quanto é profundo a abismo separando essas duas nações…

 

 

Isso provaria a superioridade absoluta dos primeiros sobre os segundos? Não! Porque com o potencial que possui o Brasil, tudo esta reunido, no karatê bem como nas outras artes marciais, para ter uma reserva enorme de atletas de alta qualidade e portanto estabelecer com o minimo de trabalho sério ( ou seja com tecnicos realmente competente) a supremacia brasileira..

 

Faltam porem todas as estruturas técnicas e a vontade para isso acontecer a pesar de todas as promessas e falsos compromissos dos dirigentes brasileiros.

Uma questão de organização…

 

Assim lembramos a existência na França de uma comissão de passagem das graduações, essa comissão sendo fiscalizada pelo Ministério dos Esportes com tais poderes e organização que fica sem opção a compra de graduação ou a existência de bancas examinadoras incompetentes. Qualquer que seja o estilo praticado, os programe de exame são rigorosamente os mesmos no âmbito nacional…

 

Lembramos que existe uma regulamentação extremamente estrita na França para administrar e regularizar a capacitação de professores, os mesmos sendo graduados apos formação acadêmica obrigatória no intuito de ensinar a modalidade a título gratuito ou não, dependendo do grau da formação seguida e obtida sempre sob controle da administração

 

Lembramos que todos os custos de capacitação e passagem de graduação tem preço único e determinado para tudo e todos: quando na Federação Pernambucana de Karatê foi pedido em 2008 o valor de 600 reais para apresentar o exame de 1° dan, o mesmo exame na França ( o preço é o mesmo para TODOS os dan a seguir) representa um custo de 90 reais !

 

Lembramos que no próprio exame de Dan na França existem duas opções possível, um opção tradicional ( mais focalizada sobre kata, fundamentos e kihon) e uma opção competição com um foco mais pronunciado sobre kumite e com aberta a possibilidade de ser contabilizados os pontos adqueridos durante competições !

 

Lembramos que existem programe de monitoramento de jovens talentos, de inscrição nos centros técnicos nacionais, de preparação desses talentos em estruturas educativas « esportes e estudos » para depois os mesmos ser integrados nos centros de treinamentos desportista de alto nível…( alias não posso perder de lembrar que esse tipo de programes existem no Brasil quando se trata de… futebol!)

 

Lembramos que o dinheiro investido nas estruturas desportivas chega ate os destinatários ou seja ate os atletas que competem e se aproveitam dos investimentos…

 … mas também de vontade coletiva e social !

 

Lembramos que la existe uma vontade politica colectiva , mas também uma consciência social e mais que tudo uma consciência individual para permitir que tudo seja possível já que não existe só futebol, volei ou tênis, mas existe também todas as outras modalidades que também funcionam num sistema organizacional comum…

 

E quanto a administração do karatê no Brasil, a final o que realmente funciona senão a única dedicação e o sacrifício individual, desses centenas de atletas que devem arcar com todos os custos para conseguir algo tão sofrido enquanto poderiam atingir resultados bem melhores se tivessem as possibilidades de treinar em boas condições?

 

Não ! Nenhum pais pode afirmar ser superior ao outro. Mas estamos na obrigação de reconhecer que se tivesse no Brasil a metade da vontade que existe na França ou na Europa para as coisas acontecer, não teria tantos dirigentes de entidades estaduais ou de confederações mentirosos, não teria tantos políticos corruptos, não teria tantos problemas nas mais altas esferas dirigentes do Brasil.

 

Sabe no entanto quem deixa isso acontecer? As próprias vitimas desse circulo sem fim : os atletas que não sabem dizer basta e continuam escutando o maravilhoso canto das sereias pensando que isso é a única verdade existindo no mundo, talvez por conveniência ou  ignorancia ( ninguêm pode adevinhar tudo), talvez por facilidade ou simple falta de informações ou pensando que não tem recurso contra a fatalidade…

 

Ora sabemos nos karateka que sempre tem recurso enquanto tem vida…

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