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Uma entrevista de Serge Chouraqui por  Guy Sahri

Serge Chouraqui nasceu em 1949, em Argel, na Argélia. Na sua infância, mudou-se para a França e segue uma Arte que o levou a se tornar um dos melhores professores de sua geração. Serge_ChouraquiTambém irá conduzir e treinar os maiores campeões de Kata e Kumite, da Europa e do mundo,

Formado em varias áreas, estudou Arte, Ciências, Letras e recebe a distinção do nível « Vermeil » da cidade de Paris. Na sua busca incessante, determina « …um Karatê onde a eficácia do praticante é livre de trazer para o seu próprio Karatê em relação às suas crenças, sentimentos e limites físicos ».

Atualmente 8º Dan, ele é também Tenente-Coronel da reserva da Força Aérea, cidadão e « padrinho » do departamento Karatê da prestigiada academia militar francesa criada por Napoléon Bonaparte, Saint-Cyr. Medalha de Ouro do Ministère de la Santé, de la Jeunesse, et des Sports ( Ministério da Saude, da Juventude e dos Esportes da França) também foi recompensado pela sua fidelidade, seu empenho, sua dedicação e distinta carreira no Karatê Mundial e Francês. A insígnia de « Chevalier de l’Ordre Nationale du Mérite » foi adjudicado.

 Guy Sahri: A idéia de você começar a praticar Karatê chegou a que idade?

Serge Chouraqui:

(Risos)… Na verdade, só veio quando eu assisti a uma demonstração de Karatê, pela primeira vez em Paris. Eu só estava muito impressionado com a disciplina, bem evidente, o lado « físico », « artístico » e « sintético ». E sobre tudo o aspecto « filosófico », que, quando eu tinha apenas 16 anos, foi quase inteiramente novo e necessário para a minha maturidade…

 

 Guy Sahri: Após mais de 40 anos de prática, quais são os mais belos momentos que o Karatê deixou você viver?

Serge Chouraqui:

Os mais belos momentos de prática é certamente o fato de poder continuar praticando em um estado físico relativo… e ter tanta motivação, o prazer nesta prática é pessoal, pedagógico e educacional em termos de educação.

 

Guy Sahri: Você muda sua prática em resposta aos problemas de violência no mundo ou você mantem sempre o mesmo trabalho?

 

Serge Chouraqui:

Dentro do Dojo eu continuo a fazer o meu trabalho, Suponho de que é bom pois temos muitos bons resultados, tanto em termos desportivos e humanos ja que os alunos da « antiga » permanecem sempre fiel ao Dojo. A_Arte_de_cortar_ou_Shuto-Uke_em_combateNós professores, somos antes de tudo educadores e acho, nesse sentindo que tenho plenamente cumprido o meu trabalho…

 

 

Guy Sahri: Você acha que a técnica do Karatê evolui nas últimas décadas?

 

Serge Chouraqui:

(Risos)… Ohhh, certamente mudou! Nos que continuamos no circuito vemos que felizmente o Karatê foi modernizado preservendo seus fundamentos e as suas bases, em todas as áreas, tanto nas competições e na sua especificidade técnica bem como ao nível educacional. O Karatê com 50 milhões de praticantes ao redor do mundo tornou-se cada vez mais rico, principalmente através da sua expansão em muitos países. O Karatê é a segunda Arte Marcial mais praticada, atrás do Taekwondô (60 milhões de praticantes), mas antes do Judô (8 milhões de praticantes). Mas ao contrário dos dois últimos, não é um esporte Olímpico…

 

Guy Sahri: Abreu-se uma nova época desde o Mundial 2009 da WKF em Tóquio… Quais são as inovações no domínio das Regulamentações Técnicas e Práticas para o Karatê mundial?

 

Serge Chouraqui:

As novidades são o « Protetor de Tórax », a « máscara », uma forma diferente de « luvas » e « protetores caneleiras-pé », para uma melhor segurança. Na minha opinião isto não é ruim para a plena integridade física dos praticantes. É uma coisa boa inclusivo como o « controle absoluto » ao nível da face, permitindo assim que os praticantes possam pleinamente exprimir-se tecnicamente. Penso que isto vai continuar a desenvolver-se neste sentido, para poder integrar os Jogos Olímpicos…

 

Guy Sahri: A World Karate Federation – WKF introduziu o uso de « Protetor de Tórax » e a « máscara » para o 36º Campeonato Europeu Juvenil/Juniores e também da mais nova Taça Européia dos menos de 21 Anos . Você acha que existe uma « subjetividade » nas decisões do arbitragem enfrenta quanto ao uma entrada do Karatê ao nível Olímpico?

Serge Chouraqui:

A chegada do « Protetor de Tórax » e da « máscara », evitará, espero, a « subjetividade » no processo de arbitragem e pode consolidar o nosso nível de segurança na visão dos líderes do Esporte Olímpico. Isso permitirá « contatos » mais claros para decisões de arbitragem tão precisas e justas quanto possível especialmente desde que as regras têm melhorado e foram bem aceite…

 

Guy Sahri: Não estão com medo de que a chegada de novas proteções, aumentem o custo da prática?

Serge Chouraqui:

(Risos) Eu diria que a segurança não tem preço! Bem como em qualquer disciplina esportiva, como por exemplo, o Futebol, tem-se as chuteiras, caneleiras, camisetas, mochila, equipamentos etc., representando custos tanto como… no Tênis! Agora tomando o exemplo do Tênis ou de qualquer modalidade onde existe equipamento « relativo » eu não acho que é o Karatê é um dos mais caros!

 

 

Guy Sahri: A poucos meses, da decisão dos « 33 critérios » de admissões Olímpicos e da votação, quais são as chances e as fraquezas de Karatê?

 

Serge Chouraqui:

Eu acho que ainda temos uma boa « oportunidade » motivando nossa luta por essa vitória…

O lado positivo é que não devemos esquecer que o Karatê é praticado por milhões de pessoas em todos os Continentes do mundo e que o nível se torna cada vez mais acirrado em Competição, no seu grau de compreensão, e também na visão dos midias. O Karatê pode ser um desporto, mas também uma arte demasiado demonstrativa e muita divertida de ser assistida…

Quanto ao lado negativo, 5 esportes não-Olímpicos foram avaliados pela Comissão do programa

Olímpico: Roller, Squash, Golfe, Karatê e Rugby para 7 pessoas. Dois foram selecionados para os

Jogos de Londres em 2012: Squash e Karatê. Ambos receberam 60% dos votos em seu favor, mas a  2/3 maioria era exigido. Este ano uma nova sessão será realizada em Outubro de 2009, em

Copenhagen, para determinar qual será a anfitriã da cidade dos Jogos de 2016 e quais esportes

estarão presentes. O Karatê faz novamente dos 5 esportes Olímpicos que são elegíveis e agora basta uma maioria absoluta. Isso não vai ser fácil, mas eu espero que o lobby (marketing) funciona…

Infelizmente nessa altura não é mais da minha responsabilidade…

 

Guy Sahri: Para você, qual é a importancia da arbitragem em Competições de qualquer nível e naturalmente a nível mundial?

Serge Chouraqui:

Sem árbitro, não pode haver Competições em nenhum nível. Se não temos um « Corpo de Arbitragem » isso é obviamente impossivel. Mas a importância não está no « quantitativo » mas no aspecto « qualitativa » do ponto…

O lado esportivo do Karatê passa principalmente pelo respeito aos outros, Na falta da estrita obediência aos protocolos formais da Instituição durante eventos esportivos, protocolos elaborados para garantir, pela cortesia, o reconhecimento de cada um, o papel do árbitro, pelo seu jeito de ser e de se comportar, é de garantir que este princípio prevaleça em todas as circunstâncias…

A_Esquiva_no_ataque_puro_na_luta...O Absoluto respeito da « regra » é a condição da igualdade de oportunidades para com os competidores e só pode garantir que na decisão final o resultado seja decidido sobre o verdadeiro valor dos competidores. É portanto essencial que o árbitro tenha um conhecimento tão perfeito quanto possível das regras e das suas interpretações. Nesse fim, ele deve promover uma revisão e uma atualização permanente dos seus conhecimentos, para ter um dominio melhor da sua Arte e sempre mostrar essa pericia nas melhores condições possíveis. Não deve mostrar nenhuma dùvidas quanto ao seu conhecimento e no caso caso contrário deve eliminar qualquer incerteza durante a fase de uma luta, colocando-se em busca de conselhos, tanto dos seus próprios colegas quanto das fontes regulamentar de referência. Para isso é essencial em Federações ter « informação » e uma « comunicação » performante, afiada, precisa para que tenhamos os melhores Juízes e Árbitros, porque nós somos os guardiões da ética em todos os níveis!

 

 Guy Sahri: Como praticante, professor, Expert Federal e ex-Juiz Técnico mundial WKF, você precisa de orientação, objetivos claros?

Serge Chouraqui:

(Risos)… Os objetivos são para avançar junto com o Karatê, progredir. Estar sempre « aberto » a todas as possibilidades, ouvir e « partilhar » com os outros professores do mundo inteiro, outros Peritos, as suas experiências e para fornecer elementos adicionais para uma melhor educação, uma melhor pedagogia para que possamos avançar ainda mais com uma técnica melhor e acima de tudo num « melhor espírito » afim de passar uma heranca para outras gerações…

 

Guy Sahri: Hoje, quando você se lembra da sua estréia em Karatê, você pensou em chegar neste nível ?

Serge Chouraqui:

(Risos) Com certeza não! Com certeza não… Mas assim que continuamos a progredir, a buscar, nós avançamos, e finalmente percebemos que talvez devemos ter melhorado em algum aspecto, digo talvez, não sou eu que posso dizer mas sim em primeiro lugar os meus alunos, as pessoas em torno de mim, que me veem há muitos anos, e que podem a final dizer se tenho realmente evoluído!

Creio, em particular, ter crescido espiritualmente e filosoficamente. Isto é o que me permitiu ser « calmo », « feliz » bem na minha vida como Karateca e na vida em geral…

 

Guy Sahri: Este aspecto espiritual, ele finalmente prevaleceu sobre o aspecto físico?

Serge Chouraqui:

Sim e Não… Podemos falar de « espíritual » sem ter praticado o Karatê. O oposto é impossível. Nas Artes Marciais so podemos ter uma conpreensão de algo espiritual, se tiver, pelo menos, algum auto-conhecimento e também da Arte que praticamos. De um certo modo dizemos que « não ponha a carroça à frente dos bois »… voilá!

 

Guy Sahri: É possível encontrar novas técnicas de Karatê?

Serge Chouraqui:

Ohhh eu acho que sim! Existem, certamente novas técnicas que descobrirmos… Mas vou te dizer que a melhor técnica é a mais limpo, a mais contundentemente, a mais precisa, o simples e eficaz. Portanto, antes encontrar uma nova técnica vamos aperfeiçoar o que já conhecemos!

 

 

Guy Sahri: Como se resume a abordagem do Karatê Tradicional e Competitivo?

Serge Chouraqui:

A abordagem Tradicional do Karatê com o Karatê de Competição tem sido sempre o mesmo. Um não pode existir sem o outro!

O Karatê Tradicional em seus fundamentos é baseado em técnicas de ataque (de percussão) utilizando todas as armas naturais do corpo (dedos, mãos abertas e fechadas, antebraços, pés, pernas, cotovelos, joelhos, cabeça, ombros…) para bloquear os ataques inimigos e/ou ataque. As técnicas incluem subterfúgios, esquivas, desequilíbrio, projeções e chave. Nuances de conteúdo técnico são relativamente marcadas de acordo com o estilo « Shōtōkan, Wadō-Ryū, Shitō-Ryū, Gojū-Ryū »Para adquirir o domínio dessas técnicas em combate, a educação tem três áreas complementares de estudo: o Kihon 基本, o Katá ou e Kumite 组手. A competição é a adaptação desses fundamentos em relação à regulamentação e tenta aplicá-los em função de um parceiro, de um espaço, um espaço-tempo etc. Penso que, se queremos praticar Karatê, eles precisam compreender todas estas facetas lá. Eles são indispensáveis e indissociáveis…

 

Guy Sahri: Finalmente você tem uma paixão fora do Karatê?

Serge Chouraqui:

(Risos)… Eu diria outros « Hobbies », com certeza! Uma paixão como o Karatê vai ser difícil porque acho que não estou ainda no final desta prática e nem no final desta paixão, para que eu dedico o maior tempo possível. Naturalmente, a minha paixão, entre outros, é a minha família, meus filhos, meus netos… posso compartilhar outras paixões, como a leitura, as coisas simples da vida, mas o Karatê é incomensurável!

 

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