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Uma entrevista de EDSON FORMOSINO

por Xavier Henri Baudequin

Edson Formosino, como você entrou no mundo das artes marciais?

Na 1a Copa Unificada Pernambucana de Karate em 2009

Na 1a Copa Unificada Pernambucana de Karate em 2009

Comecei em 1970, com 10 anos de idade e ao ver um comercial na TV onde tinha um homem quebrando várias telhas com a mão e isso me despertou a treinar aquela arte que era o Karatê. Meu primeiro professor de karatê foi o Sensei Eltes Barros de Menezes, tendo também treinado Judô, boxe e luta livre com o Shihan José Tavares e Silva (falecido). Tendo, ao todo ate a presente data, treinado 10 artes marciais diferentes.

Quais são suas atuais graduações?

Sou 9º Dan de Kickboxing pela CBKBI, 6º Dan de karatê pela CEEBK, Faixa Roxa de Judô pela FPJ, além disso, tenho outras graduações de Kyu em aikidô, Ninjutsu, além de haver sido graduado em capoeira como corda azul e branco.

Você acha necessario a pratica de varias artes marciais? Não acredita que isso pode prejudicar o crescimento de uma em favor de outra?

Bem como meu objetivo nas artes marciais é autodefesa e não a prática competitiva, acho que se a pessoa fizer com certa responsabilidade e equilíbrio não tem problema. Demais para ter um conhecimento para ser um professor de defesa pessoal como era meu objetivo maior acho necessário praticar algumas artes marciais para enriquecer seus conhecimentos. Claro que deve haver certo controle em não fazer muitas artes ao mesmo tempo, pois isso não levará a nada.

Você foi instrutor de Defesa Pessoal na PM durante inumerosos anos? Como chegou a ideia de criar um sistema de defesa pessoal, a SADA e porque senti a necessidade de fazer crescer-lo?

Passei 27 anos de minha carreira militar ministrando aulas na PM e durante esse período presenciei e ainda presencio uma falta muito grande de pessoas qualificadas para ensinar defesa pessoal não só na PM, mas também fora dela. O que vejo hoje são muitas pessoas que tem faixa preta e as vezes nem a tem,se intitularem professores de defesa pessoal, sem ter uma vivencia real para isso. Apenas com noções e uns ate se valendo de DVD e outras fontes de consulta para aprender e saem por ai a dar aulas e ministrar cursos passando técnicas que as vezes põem em risco a vida de que as usar. Devido a essa defasagem de professores, resolvi em 1995, criar o SADA, Sistema de Autodefesa Avançado onde sistematizei e cataloguei técnicas usadas nas minhas aulas na policia militar para formar um professor, que pudesse repassar técnicas que foram realmente testadas no dia a dia da Policia nas ruas dessa cidade, sem nenhuma coreografia, ou enfeite, mas com eficiência real. Vejo muita gente fazendo defesa pessoal por ai que só serve para filmes de artes marciais. Numa situação real isso não funciona e seria um desastre. Fica bonito para assistir, mas para usar não serve.

O que vôce acha do atual sistema de gestão das artes marciais no Brasil e dessas brigas de entidades?

Acho um desastre total a gestão das artes marciais no Brasil. Diz-se que brasileiro gosta de imitar os outros, então está na hora das pessoas que administram as entidades começarem a imitar aquelas idéias que deram certo, e por em pratica no nosso país. Com relação às brigas, isso ocorre porque muita gente visa mais ganhar dinheiro do que realmente ajudar o esporte a crescer. E sente-se ameaçada quando alguém tenta mudar essa situação em que ele está se dando bem. Falta compromisso verdadeiro. É em alguns casos vergonha na cara!

O que vc diz a essas pessoas que chamam você de “clandestino”?

Dou uma risada e as chamo de desinformadas. Tenho quase 40 anos de karatê e mostro a elas que não sou clandestino, pois, além de ter uma graduação internacional 6º DAN pela WUKO, sou devidamente registrado numa Confederação e numa federação Estadual todas devidamente registradas em cartório e com CNPJ e todas regidas por uma Lei Federal 9.615/98 a Lei Pelé. O que existe é uma onda gerada por uma entidade nacional que se acha dona do karatê no Brasil e que fica divulgando uma imagem distorcida dos professores e mestres, causando com isso uma confusão na cabeça daqueles que não tem um conhecimento do assunto ou que não querem tomar conhecimento da verdade que se esconde por trás disso tudo. E qual a intenção real dessa divulgação distorcida a não ser causar separação cada vez maior e deter o poder na mão de poucos. A Lei Pelé ajudou muito daqueles que eram perseguidos no passado por aqueles que hoje estão nos altos cargos nessa entidade que hoje se declara a única verdadeira e na qual se vê tanta coisa errada e ainda assim nos chama de clandestinos.

A unidade no Karatê pernambucano foi só um golpe pontual ou vc ainda acha isso possivel?

Acho que foi um grande passo para se chegar a essa meta, embora pense que isso não será coisa fácil, pois, envolve muitos fatores, entre eles: alguns perderão seus cargos para que seja uma pessoa só a ser o presidente de uma única entidade. A questão do orgulho de muitos e também porque muitos irão perder aquela autonomia de fazerem exames de faixas e darem graduações a quem bem quiser e em alguns casos de forma irresponsável, pois vemos hoje muitas pessoas ostentando altas graduações sem terem o mínimo conhecimento para tal. Tudo por causa do lado mercantil que envolve esses fatos. Hoje qualquer um quando tem um desentendimento ou é cobrado demais acha que a saída é criar uma federação onde ele possa fazer o que quiser e da maneira dele, esquecendo que federações e confederações não são criadas para o interesse pessoal e sim coletivo. Seria bom que o Brasil e não somente Pernambuco copiasse o modelo feito pela França e Alemanha que conseguiram unificar as federações de karatê e hoje já despontam como favoritas em eventos internacionais.

Voce não acha que são criterios puramente financeiros que fazem as pessoas se reunir para organizar evento?

Não! Acho que existem fatores financeiros envolvidos no que se refere a conseguir patrocínio nos órgãos do governo, pois, muitas federações atrapalham, pois, nenhum governo irá liberar verbas para um mesmo esporte várias vezes dessa forma que está hoje. A grande perda nesses casos é para aqueles que vivenciam o lado competitivo do karatê, pois, para conseguir ajuda tanto na esfera governamental, como nas empresas privadas deixa as pessoas confusas, pois, as vezes várias pessoas vão ao mesmo local pedir patrocínio para um evento da mesma natureza. E o empresário irá dizer: eu já liberei uma verba para patrocinar esse mesmo evento, porém, para outra pessoa. Isso as vezes gera um ar de desconfiança.

Quais são seus planos imediatos de futuro? A abertura de um novo dojo? O que sera diferente nele?

Estou atualmente me preparando para fazer Vestibular para Educação Física que é um sonho ainda não realizado. E estou quase terminando um espaço para um novo dojô, juntamente com um professor amigo meu com o qual firmei uma sociedade para desenvolvermos um trabalho sério. Ele trabalhará a parte de karatê e eu pretendo desenvolver e divulgar mais ainda meu sistema SADA, visando oferecer uma opção a mais de técnicas de defesa pessoal para o público do Recife e de Pernambuco. Com técnicas de defesa pessoal eficientes e que darão uma maior segurança ao cidadão recifense e pernambucano.

Um conselho que voce daria para quem gostaria iniciar numa arte marcial…

Aconselho a quem deseja iniciar uma arte marcial a primeiro assistir uma ou mais aulas dessa arte e depois verificar a credibilidade do seu futuro professor e ver se este credenciado por uma entidade séria. Caso não tenha como saber ao certo a credibilidade desse professor, deve procurar a ajuda de uma pessoa que já pratica a arte desejada e ver com ela se conhece a academia e o professor ao qual almeja treinar. Devemos ter muita cautela hoje em treinar qualquer arte marcial. O nosso Brasil está cheio de pessoas aproveitadoras e que se auto graduam e se intitulam mestres, shihan, Senseis, sokes, etc A internet hoje é uma boa ferramenta para pesquisar a entidade a qual o pretenso instrutor se diz credenciado e vc poderá analisar e depois se ver a autenticidade dessa pessoa, desfrutar dos benefícios proporcionados pela prática de uma arte marcial.

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